Comic Market Brasil 2026: quando os quadrinhos brasileiros saem do papel e encontram seu público

Autor: Léo Eddie Confuso

Participamos do Comic Market Brasil 2026, um evento que chama a atenção justamente por fugir do formato tradicional de uma convenção geek. Em vez de concentrar sua proposta apenas em atrações para fãs, o CMB coloca no centro da discussão o mercado brasileiro de quadrinhos e a profissionalização de quem cria HQs.

A edição de 2026 aconteceu nos dias 15 e 16 de agosto, na FAPCOM, na Vila Mariana, em São Paulo. Durante o evento, foi possível perceber que existe muito mais acontecendo ao redor dos quadrinhos brasileiros do que simplesmente a publicação de uma revista.

O que é o Comic Market Brasil?

O CMB foi criado com a proposta de fortalecer o ecossistema dos quadrinhos brasileiros, aproximando diferentes profissionais e setores que fazem parte dessa cadeia: quadrinistas e ilustradores, editoras, estúdios, investidores e empresas, artistas independentes, gráficas e fornecedores, profissionais de games e audiovisual, além de estudantes e pessoas que desejam entrar no mercado.

A proposta do evento é organizada em três grandes áreas:

Comic Market — feira, artistas, editoras, exposições, produtos e encontros.

Comic Business — networking, negócios, editoras, estúdios e a Comic Pitch, espaço no qual criadores podem apresentar propriedades intelectuais para possíveis parceiros.

Comic Learning — masterclasses e aulas sobre desenho, roteiro, publicação, marketing, negócios e produção de HQs.

E há ainda um espaço especialmente interessante para qualquer fã de quadrinhos: a Área dos Artistas. Em 2026, foram disponibilizadas 60 mesas destinadas a quadrinistas, ilustradores e escritores independentes, permitindo que esses criadores apresentassem e comercializassem suas próprias obras.

Quem participou?

Entre os participantes e expositores divulgados pelo CMB estavam Quadrinhos do Bem, Comix Zone, WarpZone, Kaiju Editora, Armon Editora, Super Prumo, Shonen West, Fliptru, Wild Comics, Pindorama Entretenimento / Força BR, Porco Velha, OpenEye Dash, Magma, XP-PEN, Apoia.se, Margraf, GMTC Studio, Nova SG e Ocellaris, entre outros.

E essa é apenas uma parte dos expositores presentes no evento.

E os convidados?

Na edição de 2025, por exemplo, estiveram anunciados nomes como Bernardo, do Lendo Quadrinhos Nacionais (LQN), e LeoMK, conhecido pelo trabalho com conteúdo e ensino de arte digital.

Já em 2026, um dos convidados internacionais anunciados foi Hideki Tsuji, artista conhecido por Fist of the Blue Sky: Regenesis. Além disso, o Comic Learning reuniu profissionais de diferentes áreas, incluindo quadrinistas, ilustradores, editores, profissionais de gráfica, concept artists e especialistas em marketing.

Um evento pensado para quem cria

Talvez uma das melhores maneiras de entender o Comic Market Brasil seja perceber que ele é menos um "evento para fã ir tirar foto com celebridade" e mais um "evento para quem quer fazer quadrinhos e transformar quadrinhos em negócio".

Isso combina bastante com a linha que temos seguido no EntreGeeks Podcast, especialmente nos artigos do Site do Grupo ELANE sobre HQs nacionais e na descoberta de trabalhos como Pajé, Sonhonauta, Corso e outros.

Quem visita uma convenção tradicional de cultura geek normalmente encontra lojas, produtos, convidados e atrações. No CMB, existe uma preocupação maior em mostrar também quem está por trás das histórias.

O evento abre espaço para quadrinistas, ilustradores, escritores, editoras, escolas de arte, empresas de materiais artísticos, estúdios, plataformas digitais e criadores independentes.

É, de certa forma, um encontro entre quem cria, quem publica, quem ensina, quem investe e quem consome quadrinhos.

Área Business: quadrinhos também são negócio

No térreo da FAPCOM ficou a Área Business, reunindo editoras, criadores de conteúdo, lojas, estúdios, empresas e diferentes iniciativas relacionadas ao mercado.

Entre os participantes indicados no mapa oficial estavam Leo MK, Crá Editora, Universo HB + Lâmina Selvagem, Capitão Oniguiri, Editora Criativo, Nerdilium Store, Tenda Medieval, MPEG Editora, Suu Hideto, Zukai Editora, Mocho, Arkhons, Care Toon, Delta 3, Lojinha do Ely, Editora Heroica, Team Succubi, Walter Junior, Editora Mozu, Black Hawk Studio, EDEXS, ME2 Art Studio e Comix.

A diversidade de participantes mostra como o mercado de quadrinhos pode ser muito maior do que apenas uma editora imprimindo uma revista.

Há lojas, escolas, estúdios, colecionáveis, arte, impressão, conteúdo digital e diferentes formas de transformar uma criação em produto.

Área Market: onde o público encontra as criações

No segundo andar estava a Área Market, com uma grande variedade de empresas e projetos ligados diretamente ao universo dos quadrinhos e da produção criativa.

Entre os nomes presentes estavam Shonen West, Magma 3D, Open Eye Dash + Gixer Games, WarpZone, Margraf, Fliptru, ICS Escola de Artes, Pixel Art Store, Inkwebtoons, Comic Off + Quadrinhos do Bem, Agakê, Apoia.se, Abra, Lia e Barbosa, Artinow, Karikari, Kinoene, Pentel, Ocellaris, Talessak, Greentale Studios, Cleverson + Nerdola Comics e XP-PEN.

Aqui fica ainda mais evidente a proposta do CMB.

Tem editora.

Tem gráfica.

Tem aplicativo de HQ.

Tem escola.

Tem materiais artísticos.

Tem financiamento coletivo.

Tem games.

Tem impressão 3D.

Tem quadrinhos.

E tem projetos que trabalham com propriedade intelectual.

Ou seja: existe uma verdadeira cadeia criativa acontecendo ao redor das histórias em quadrinhos.

E os artistas independentes?

Talvez uma das áreas mais importantes do CMB seja justamente aquela que não aparece no mapa de estandes que recebemos: a Área dos Artistas.

De acordo com a organização, a edição de 2026 contou com 60 mesas destinadas exclusivamente a autores de obras originais, incluindo quadrinistas, ilustradores e escritores independentes.

A proposta é permitir que esses artistas apresentem e comercializem diretamente suas próprias criações. Ali, o público pode encontrar HQs, livros, prints, sketchbooks, artes originais e produtos derivados de propriedades intelectuais.

Mais do que vender uma publicação, a ideia é colocar o público em contato direto com quem criou aquela história.

E isso tem um significado enorme para o mercado nacional.

Porque uma coisa é comprar uma HQ em uma grande loja. Outra, completamente diferente, é olhar para o artista que escreveu e desenhou aquela história, conversar com ele, conhecer sua inspiração e levar para casa uma obra que saiu diretamente daquele processo criativo.

O próprio regulamento do CMB destaca que a curadoria prioriza obras autorais e propriedades intelectuais originais.

Histórias que encontramos pelo caminho

Entre tantos artistas e trabalhos presentes na Área dos Artistas, alguns acabaram chamando especialmente a nossa atenção. Isso, obviamente, não significa que os outros não tenham nos impressionado. Pelo contrário: eram tantas obras e tantos criadores interessantes que seria impossível sair de lá sem descobrir alguma coisa nova.

Mas existem trabalhos que, por algum motivo, acabam nos tocando de uma maneira diferente. E, no nosso caso, algumas dessas histórias também vieram acompanhadas de encontros que tornaram a experiência ainda mais especial.

Fred Guará – Bem-Vindos à Lobo Loco

Um desses casos foi Felipe Marcantonio e Mileny Raquel Cusato, que eu já conhecia pelo trabalho em Fred Guará – Bem-Vindos à Lobo Loco. Eu havia achado o trabalho incrível e, quando vi que Felipe estaria no evento, logo o chamei pelo Instagram para dizer que iria comprar a HQ que estaria em sua coletânea.

E promessa é dívida, não é? Eu cumpri! 😂

Só não consegui pegar a assinatura dele desta vez. Mas fica aqui o aviso: Felipe, eu ainda vou atrás dessa assinatura! Quem sabe em um próximo encontro, talvez na Comic Off, onde espero encontrar você novamente em uma das minhas próximas visitas à livraria.

Lorth'al, O Rei de Ferro

Outra HQ que me chamou bastante a atenção foi Lorth'al – O Rei de Ferro, de Krys Mangini.

Krys não estava expondo pessoalmente no evento, mas deixou algumas cópias na mesa da Livraria Comic Off + Quadrinhos do Bem, junto do Carlão. E foi justamente o Carlão quem, quando cheguei ao estande, veio me contar um pouco sobre a HQ e falar sobre o quanto havia gostado da obra.

A publicação também carrega o selo Quadrinhos do Bem – Obra Recomendada, o que despertou ainda mais minha curiosidade.

O próprio Carlos realizou um trabalho de curadoria — se podemos chamar assim — junto ao criador e ao quadrinista, ajudando a apresentar a obra ao público.

Esta pequena edição traz apenas o prólogo. A jornada do Rei de Ferro ainda está começando.

A obra respeita as convenções clássicas da fantasia, mas evita ser apenas uma homenagem ao gênero. Em vez de simplesmente repetir fórmulas conhecidas, constrói uma narrativa em que a jornada física acompanha também uma transformação interior.

Outro aspecto que me chamou a atenção foi a maneira como temas de inspiração cristã surgem naturalmente na história. Não como discurso ou tentativa de pregação, mas como elementos que servem de base para refletir sobre responsabilidade, arrependimento, esperança, livre-arbítrio e recomeço.

Para mim, existe quase uma sensação de acompanhar uma espécie de Conan envelhecido, carregando consigo suas glórias e suas dores, chegando ao fim da vida e sendo confrontado com valores que ainda precisava rever. Quando acreditava não haver mais nada a aprender, surge justamente a possibilidade de uma nova chance.

E talvez seja isso que tenha me deixado tão curioso para continuar a leitura.

Estou aguardando ansiosamente pelos próximos capítulos dessa história.

Contos Lunares

Também conheci Amanda Minervini, que, junto de suas amigas Letícia Sato e Milli Camacho, criou o Studio Lunar.

Durante o evento, comprei a segunda coletânea, Contos Lunares, que reúne alguns contos fechados produzidos pelas três artistas.

O que mais me chamou a atenção foi o cuidado e a delicadeza presentes tanto nas histórias quanto na maneira como o produto foi construído.

Ao folhear a coletânea, é possível perceber as diferentes características artísticas de cada uma, tanto nos desenhos quanto na maneira de contar suas histórias. Cada autora traz um estilo próprio e histórias que parecem nascer justamente daquilo que toca seus corações.

Existe ali uma sensação muito gostosa de carinho e conforto. É o tipo de publicação que consegue conversar com diferentes públicos, especialmente com quem ainda guarda esse olhar mais sensível e afetivo para as pequenas histórias.

Foi uma daquelas descobertas que fazem a gente pensar que uma HQ não precisa necessariamente apresentar uma grande aventura para deixar uma marca. Às vezes, basta uma história contada com cuidado.

Cyberpunk e uma frase que já prende a atenção

Também encontrei Rodrigo Mazer.

Eu ainda não conhecia seu trabalho, mas bastou o Mister Ichi passar pela mesa dele para me puxar e mostrar o que estava sendo apresentado.

E, de quebra, uma das coisas que mais chamou a nossa atenção foi a HQ Cyberpunk.

As ilustrações são belíssimas. Algumas delas poderiam facilmente estar emolduradas como obras de arte. E a própria capa já entrega que existe muito cuidado visual naquele trabalho.

Mas foi quando lemos a frase:

"EXISTEM LUGARES AONDE NÃO DEVERÍAMOS IR E VERDADES QUE NÃO DEVERÍAMOS SABER."

que a curiosidade bateu de vez.

Porque, vamos combinar: depois de ler uma frase dessas, você realmente quer saber o que existe nessa história! 😂

E o Rodrigo foi outra surpresa muito boa do evento. Ele teve tempo para conversar comigo, contar um pouco sobre seus trabalhos e apresentar melhor sua obra.

É justamente esse tipo de encontro que torna uma feira como o CMB tão diferente.

No final, obviamente, eu não poderia sair de lá sem levar aquela edição comigo.

O melhor de encontrar quem cria

E existe ainda uma coisa que tornou essas descobertas ainda mais especiais: o contato direto com quem está por trás das histórias. Em praticamente todos esses encontros, conseguimos conversar com os artistas, conhecer um pouco mais sobre seus trabalhos, pedir autógrafos, dedicatórias e, claro, tirar aquela foto para registrar o momento.

Mas o CMB também acabou sendo um lugar de reencontros. Tivemos a oportunidade de encontrar amigos, seguidores do nosso site e do canal, parceiros, artistas e diversos criadores de conteúdo que fazem parte dessa caminhada.

E foi muito legal perceber que, além dos quadrinistas e editoras, o evento também reuniu uma comunidade enorme de canais do YouTube e produtores de conteúdo que acompanham, divulgam e ajudam a fortalecer o mercado nacional de quadrinhos.

Durante nossa passagem pelo evento, encontramos grandes canais e criadores como NAMURA, Heróis e Mais, Quadrinhos do Bem, 50Tão Geek, JORGETA HORAPLAY, QG ENGEL, Gigante Richard, Canal Tragicômico, New Críticas, Canal do Grifo, Linhagem Geek, entre outros.

São pessoas que, cada uma à sua maneira, ajudam a levar essas histórias para mais pessoas, apresentar novos artistas ao público e manter viva a conversa sobre quadrinhos, cultura geek e produção independente.

E isso tornou a experiência ainda mais especial. Porque, no fim das contas, um evento como o Comic Market Brasil não é feito apenas de estandes, editoras, artistas e quadrinhos. Ele também é feito pelas pessoas que encontramos pelo caminho, pelas conversas que acontecem e pelas conexões que continuam depois que o evento termina.

E é justamente aí que, para mim, está uma das coisas mais legais de comprar uma HQ diretamente de quem a criou.

Você não está apenas levando um livro para casa.

Está conhecendo a pessoa que colocou aquelas ideias no papel.

Está ouvindo um pouco sobre seu processo criativo.

Está descobrindo a história por trás da história.

E, quando aquela obra ainda ganha uma dedicatória e uma assinatura, ela deixa de ser apenas mais uma HQ na estante. Passa a carregar também a lembrança daquele encontro, daquela conversa e daquele momento.

Talvez seja por isso que algumas HQs acabam se tornando especiais para nós mesmo antes de terminarmos a leitura. Não é apenas pelo que está escrito em suas páginas, mas também por quem nos apresentou aquela história e pelo momento em que ela chegou até nossas mãos.

Bom... ou quase todos! 😂

Felipe, me aguarde! A assinatura ainda está pendente.

E talvez seja esse o grande charme da Área dos Artistas: aproximar o leitor não apenas da obra, mas também da pessoa que está por trás dela.

Porque, antes de uma HQ chegar a uma livraria, a uma loja ou à nossa estante, alguém precisou acreditar naquela história o suficiente para colocá-la no mundo.

E quando temos a oportunidade de conhecer esse alguém, conversar sobre sua criação e levar aquela obra diretamente para casa, a experiência deixa de ser apenas uma compra.

Ela se transforma em uma história que também passa a fazer parte da nossa própria história.

Nerdola Comics: três histórias que também nasceram na internet

Outro destaque que encontramos no CMB 2026 foi a Nerdola Comics, que estava divulgando três HQs que chamaram nossa atenção por terem uma ligação muito especial com criadores de conteúdo que já conhecemos da internet: Dante, Legado e Inkebravel.

Dante é uma criação de Wagner Thomazoni, do Canal Tragicômico, levando para os quadrinhos um projeto que também carrega a identidade e a criatividade que já acompanhamos em seu trabalho como criador de conteúdo.

Legado, por sua vez, é uma criação de Tony Bleick e Elvis Ventura, do canal Heróis e Mais. A HQ representa mais um passo desses criadores na construção de suas próprias histórias e personagens dentro do universo dos quadrinhos independentes.

Inkebravel é uma criação de Gigante Richard, com arte de Jony Fubá, trazendo mais um personagem para esse universo de heróis que vem sendo construído pela Nerdola Comics.

Foi muito legal encontrar essas três obras no CMB, principalmente porque conhecemos alguns desses criadores também pelo trabalho que realizam na internet. Ver seus projetos ganhando forma como quadrinhos e chegando diretamente às mãos dos leitores mostra como a produção independente brasileira pode nascer de diferentes caminhos — inclusive dos próprios canais e comunidades que ajudam a movimentar a cultura geek.

Comic Learning: aprender também faz parte

Outro braço importante do evento é o Comic Learning.

A proposta é oferecer Master Classes e conteúdos voltados para quem quer aprender mais sobre o mercado e sobre a produção artística.

O CMB reuniu professores e profissionais de diferentes áreas, com temas relacionados à criação, arte, quadrinhos e desenvolvimento profissional.

Isso reforça uma característica interessante do evento: não basta apenas criar uma HQ.

É preciso aprender a desenvolver a obra, apresentar o projeto, encontrar público, publicar, divulgar e, eventualmente, transformar aquela criação em uma propriedade intelectual capaz de gerar novas oportunidades.

Análise de Portfólio

Para quem está tentando entrar profissionalmente nesse mercado, o CMB também apresentou sessões de Análise de Portfólio.

A programação contou com profissionais e estúdios como ME2 Art Studio / Izu, Brenda Bossato, Animadores Pós-Anima CMB, Andressa Studio A+, ABRA, Mari / ICS Art, João Raulex e Herick / ICS Art.

É uma iniciativa que aproxima o artista de profissionais capazes de olhar para seu trabalho e oferecer uma visão mais profissional sobre aquilo que está sendo produzido.

Para quem está começando, esse tipo de contato pode ser extremamente importante.

Meet & Greet

O público também teve momentos para encontrar convidados e criadores.

Entre os nomes presentes na programação estavam Narrador, Tropa do Lámen, Liga Nerdola e Hideki Tsuji.

E foi justamente Hideki Tsuji um dos grandes destaques internacionais desta edição.

O artista japonês é conhecido por seu trabalho em Fist of the Blue Sky: Regenesis, obra que expande o universo criado por Tetsuo Hara e Buronson. O CMB apresentou Tsuji como seu primeiro convidado internacional da edição de 2026.

Comic Pitch: uma ideia pode virar negócio

Outro ponto que merece destaque é o Comic Pitch.

A proposta é criar uma rodada de negócios em que criadores podem apresentar suas propriedades intelectuais para possíveis investidores e parceiros do mercado criativo.

E talvez seja justamente aqui que o CMB mostre uma de suas maiores diferenças em relação a outros eventos.

A pergunta não é somente:

"Você gosta de quadrinhos?"

Mas também:

"O que podemos fazer com essa ideia?"

Uma HQ pode ser apenas uma HQ.

Mas também pode se transformar em livro, animação, game, série, filme, produto, personagem, marca ou universo.

Tudo começa com uma boa história.

ANIMA CMB

O evento também abriu espaço para o ANIMA CMB, uma mostra voltada para autores, animadores e projetos multimídia relacionados ao universo das HQs.

A iniciativa foi pensada para apresentar produções audiovisuais ligadas ao mercado nacional de quadrinhos.

É mais uma demonstração de como o CMB tenta olhar para os quadrinhos não como um produto isolado, mas como parte de um ecossistema maior de entretenimento.

Muito além de uma feira

Depois de olhar para tudo isso, talvez a melhor maneira de definir o Comic Market Brasil seja justamente esta:

é um encontro de pessoas que querem criar histórias e descobrir o que essas histórias podem se tornar.

Tem o artista independente.

Tem a editora.

Tem a gráfica.

Tem a escola.

Tem o aplicativo.

Tem o estúdio.

Tem o influenciador.

Tem o empreendedor.

Tem o investidor.

E tem o fã.

Todos ocupando o mesmo espaço.

E talvez essa seja uma das coisas mais interessantes do CMB.

Em um mercado em que muitas vezes ouvimos falar sobre a dificuldade de publicar, divulgar e viver de quadrinhos no Brasil, encontrar um evento dedicado justamente a aproximar essas diferentes pontas da cadeia é algo que merece atenção.

O CMB visto pelo Grupo ELANE

Para nós, do Grupo ELANE, o Comic Market Brasil representa muito mais do que uma feira de quadrinhos. É uma oportunidade de olhar para a produção nacional por outro ângulo: não apenas como leitores, mas como pessoas interessadas em conhecer quem cria essas histórias, como elas são produzidas e quais caminhos existem para que uma ideia deixe de ser apenas um projeto e encontre seu público.

E isso conversa diretamente com aquilo em que acreditamos no Grupo ELANE: dar espaço para a arte, para as nerdices e, principalmente, para quem está criando algo novo.

Ao caminhar pelo CMB, conversar com artistas, conhecer novas obras e reencontrar pessoas que fazem parte da nossa própria jornada, fica difícil não perceber a quantidade de talento, dedicação e histórias que existem dentro do mercado brasileiro de quadrinhos.

O Comic Market Brasil 2026 mostrou que existe uma cadeia criativa inteira acontecendo: artistas, roteiristas, ilustradores, editoras, gráficas, estúdios, escolas, plataformas, empreendedores, investidores e, claro, leitores. Pessoas diferentes, com objetivos diferentes, mas que acabam se encontrando por causa de uma mesma paixão: contar histórias.

E talvez seja justamente isso que mais levamos do CMB.

Não apenas algumas HQs para a nossa estante, mas novas histórias para ler, novos artistas para acompanhar, novos amigos para reencontrar e novas pessoas para conhecer.

No fim, toda história começa de uma maneira muito simples:

Alguém tem uma ideia.

Depois vem o desenho.

Depois vem o roteiro.

Depois vêm as páginas.

E, em algum momento, alguém precisa acreditar naquela história o suficiente para colocá-la no mundo.

Foi isso que encontramos em muitos dos artistas que conhecemos durante o CMB: pessoas que acreditaram em suas próprias ideias e decidiram transformá-las em histórias para que outras pessoas pudessem lê-las.

Por isso, fica aqui o nosso parabéns ao Thiago Spyked e a todos os envolvidos na realização do Comic Market Brasil 2026. Mais do que organizar um evento, vocês estão criando um espaço para que criadores, leitores e profissionais possam se encontrar e, quem sabe, fazer com que novas histórias deixem de ser apenas ideias e finalmente encontrem seu público.

E talvez essa seja a melhor maneira de terminar este artigo:

uma história começa quando alguém tem coragem de criá-la, mas ganha um novo significado quando encontra alguém disposto a ouvi-la.

Nós estivemos lá para conhecer algumas dessas histórias.

E agora, cabe a nós continuar lendo.




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